Secretário do Rio admite que CV não é terrorista ‘para lei nacional’, mas defende alcunha nos EUA

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Por diario
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O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, fez um pedido formal ao governo dos Estados Unidos para colocar o Comando Vermelho como uma organização terrorista. O pedido já foi feito há alguns dias.

Apesar disso, o secretário, em entrevista ao CBN Rio, admitiu que, segundo a legislação brasileira, o grupo ‘não seria’ uma organização do tipo. Para ele, o que mais interessa é colocar a organização criminosa na lista do Departamento do Tesouro dos EUA, como o PCC já está.

‘Então, isso é que é interessante nesse primeiro momento. Por quê? Porque constando nessa lista, a gente tem facilidades como, por exemplo, bloqueio de criminosos indo para os Estados Unidos. Nós temos a comprovação de que o Comando Vermelho já está atuando em seis estados americanos’, contou.

Victor Santos afirma que isso declararia o Comando Vermelho como uma ‘organização transnacional’.

‘O americano, ele controla todo o sistema SWIFT, as transações financeiras no mundo inteiro. Isso, para a gente, é interessante que a gente tenha uma agilidade, uma rapidez muito maior de bloquear eventual ativo que pertence a essa organização criminosa’.

O governo do RJ estima que mais de 200 suspeitos de integrar o CV conseguiram fugir do cerco aos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, durante a megaoperação que deixou 121 mortos, sendo qutro policiais. Segundo documento obtido pela CBN, ao menos 23 pessoas ficaram feridas na ação.

O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, em entrevista aos âncoras Bianca Santos e Leandro Resende no CBN Rio, foi questionado sobre a fala do governador Cláudio Castro ao colunista Lauro Jardim de que tem agendadas mais de dez operações contra o crime. Victor Santos disse que existem muito mais de dez operações , mas que elas exigem maturidade. São vários alvos: Comando Vermelho, Terceiro Comando, milícia, jogo do bicho, maquininha, cigarro, “não tem um criminoso favorito”:

“Então, o momento da operação é a fase ostensiva da operação. Então, dizer que se são 10, eu vou dizer que existem muito mais de 10 operações para serem realizadas. E mais, temos alvos no Comando Vermelho, Terceiro Comando, Milícia, Jogo do Bicho, Maquininha, Cigarro. São vários os alvos das operações. Aqui, a Secretaria de Segurança Pública e as outras secretarias não têm um criminoso favorito”.

Questionado pela CBN sobre a fuga de criminosos, o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, disse que o objetivo da ação é reprimir o fluxo financeiro do crime. No entanto, ele espera que os chefes do CV sejam presos nas próximas fases:

“A ação do dia 28 é mais uma fase dessa operação, ela continua. Por quê? Porque tem como objetivo bloquear, parar essa tentativa de expansão territorial do Comando Vermelho. Então, o fato de algumas lideranças, alguns criminosos terem conseguido fugir no dia 28 não impede que sejam presos no futuro, tá? Porque a operação continua, e a gente não vai parar enquanto esses principais chefes não forem presos. Mas, principalmente, queremos identificar todo o fluxo de recursos financeiros dessa organização, o Comando Vermelho”, afirma

Victor Santos classificou a ação como “a maior operação de segurança pública do mundo” e voltou a defender o trabalho das forças policiais:

“Infelizmente, temos uma legislação muito leniente, em que esses criminosos são tratados como criminosos comuns. Nosso papel é defender as forças policiais e os agentes que estavam no local executando a operação”, completou.

Victor Santos admitiu o temor de que armas usadas atualmente na guerra da Ucrânia e as que foram utilizadas no conflito em Gaza entre Israel e Hamas cheguem para as facções em território fluminense.

‘Muitas armas utilizadas em guerras pelo mundo acabam os senhores das armas pegando essas armas e alocando em países como a África. E o Rio de Janeiro não é diferente. Nesse momento ainda não verificamos nenhuma arma que tenha esse tipo de procedência’, afirmou.

Fonte: CBN

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