Entre celebrações, shows, gastronomia e artesanato, a festa do padroeiro impulsiona o comércio, gera renda e fortalece a economia de Campos
Há festas que se medem pelo número de pessoas. Outras, pela tradição. A Festa do Santíssimo Salvador, padroeiro de Campos, chega à sua 374ª edição reunindo as duas coisas e acrescentando um terceiro ingrediente: a capacidade de movimentar a economia da cidade. Os festejos movimentam uma enorme gama de serviços, gerando empregos temporários e renda para muitas famílias. Com o Centro movimentado por eventos de todo tipo, negócios acontecem.
“Uma festa desse porte estimula a criação de empregos diretos e indiretos em setores como hotelaria, alimentação, transporte, artesanato e turismo, além de fortalecer atividades comerciais tradicionais”, observa o economista Ranulfo Vidigal, diretor de Indicadores Econômicos e Sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação. “O desenvolvimento do turismo religioso supera o ciclo normal da economia e se estende além do setor turístico, fazendo com que as pessoas venham mais vezes à cidade”.
As oportunidades surgem em cada canto. Este ano, o Museu Histórico de Campos abriu o Bistrô de Gastronomia Artesanal, onde profissionais do setor de alimentação estão comercializando salgados, doces, cafés especiais e outros produtos. A iniciativa foi uma parceria da Diretoria de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico com o museu, que é vinculado à Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.
Ana Beatriz Sales, que levou suchás (infusões de chás com frutas) e sucos naturais para o bistrô, aprovou a iniciativa. “Achei muito interessante esse espaço, a ambientação é muito boa. Acho que devemos fazer eventos mais frequentes com essa proposta”.
A tradicional feira de artesanato também marcou presença, com boas vendas. Este ano, o número de artesãos participantes dobrou em relação a 2025. São 48 profissionais expondo produtos variados — do bordado e crochê aos produtos em madeira e cerâmica, passando pelo amigurumi e outras técnicas artesanais. “É uma imensa alegria poder participar da Festa do Santíssimo Salvador. Além de movimentar a economia local, podemos expressar a identidade, a criatividade e a cultura do nosso povo”, elogia a artesã Ana Cláudia Bello, uma das participantes da feira.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Maurício Cabral, a Festa do Santíssimo Salvador representa um importante vetor de desenvolvimento econômico para Campos.
“Durante esse período, percebemos um aumento significativo na circulação de pessoas, o que beneficia diretamente o comércio, os bares, restaurantes, hotéis, serviços, transporte por aplicativos, ambulantes regularizados e diversos segmentos da economia local”. Em sua opinião, eventos dessa magnitude — que fortalecem o turismo, movimentam a cadeia produtiva e geram oportunidades para pequenos, médios e grandes empreendedores — devem estar cada vez mais presentes no calendário de eventos do município.
“Mais do que preservar uma tradição de quase quatro séculos, a Festa do Santíssimo Salvador demonstra como cultura, religiosidade e desenvolvimento podem caminhar lado a lado”, observa o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Marcelo Neves. “Ao celebrar seu padroeiro, Campos também celebra sua gente, sua história e a força de um evento que transforma devoção em movimento, convivência e prosperidade para toda a cidade”.
