Campos dos Goytacazes promoveu, nesta terça-feira (18), um dos principais encontros nacionais dedicados aos estudos da Paleografia e da Diplomática. O IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática, que reúne pesquisadores, professores, arquivistas, bibliotecários, estudantes e profissionais de diversas regiões do Brasil e do exterior, voltou a ser realizado no município que abrigou, em 2011, sua primeira edição. A quarta edição marca a retomada do congresso após mais de uma década de descontinuidade.
A edição deste ano registra cerca de 400 inscrições na modalidade híbrida, sendo 204 participantes presenciais, demonstrando a dimensão e a relevância do encontro. Com o tema “Desafios da Paleografia e da Diplomática na contemporaneidade”, a programação segue até esta quarta-feira (19), com palestras, minicursos e apresentações de trabalhos nas áreas de Paleografia, Diplomática, História dos Documentos, Arquivologia e campos correlatos.
A mesa de abertura do evento reuniu representantes da Prefeitura e das instituições parceiras. Participaram o presidente da Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro e membro da Comissão Organizadora do IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática, Wagner Ridolph; o professor de Paleografia e diretor de Relações Institucionais do Arquivo Nacional, Marcelo Siqueira; a representante da Diretoria-Geral do Arquivo Nacional, Alícia Duha Lóse; a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro; a diretora do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, Rafaela Machado; o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural, Almy Junior; a secretária municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto; e assessor especial de Governança Estratégica, Sérgio Cunha, que representou o prefeito Frederico Paes.

O representando do prefeito destacou que a realização do congresso é resultado da união entre instituições e profissionais e ressaltou a importância do retorno do evento à cidade.
“É uma alegria estar no IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática. Trago a mensagem do prefeito Frederico Paes de que as ações precisam de integração para serem realizadas. Este congresso é fruto dessa integração e dessa união de esforços. Campos é uma cidade rica em história, que valoriza sua memória e possui um belíssimo Arquivo Público Municipal, instalado no Solar do Colégio. Quando resgatamos e contamos a nossa história, conseguimos compreender melhor o lugar em que estamos e o destino que queremos seguir”, afirmou Sergio Cunha.
Para a historiadora Rafaela Machado, o retorno do congresso à cidade, 15 anos após a primeira edição, tem um significado especial. Segundo ela, além de representar a retomada de um evento que ficou mais de uma década sem novas edições, a programação permite apresentar a pesquisadores de todo o país a produção de conhecimento desenvolvida em Campos.

“É uma alegria muito grande sediar novamente o Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática. Foi a nossa cidade que realizou o primeiro congresso e é muito simbólico que, 15 anos depois, estejamos aqui novamente, especialmente com a retomada de um evento tão importante. A quantidade de inscritos, vindos de diversas partes do Brasil, demonstra a importância da área e a relevância do nosso Arquivo. É motivo de orgulho poder mostrar que Campos produz conhecimento, forma bons profissionais e possui um arquivo que é referência”, destacou a historiadora.
A importância do encontro também está na possibilidade de aproximar diferentes gerações de pesquisadores e profissionais. Para Alícia Duha Lóse, chefe do Serviço de Paleografia do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e palestrante do congresso, essa troca é um dos principais diferenciais de um evento presencial.

“É muito importante que o Brasil tenha atividades e eventos dessa natureza, capazes de congregar pessoas com interesses comuns e experiências muito variadas. Aqui temos profissionais de diferentes gerações, com perspectivas e trajetórias diversas, e isso é muito enriquecedor. A grande vantagem de ainda realizarmos congressos presenciais é justamente possibilitar que diferentes públicos estejam no mesmo ambiente, promovendo uma troca de experiências que é imprescindível”, afirmou Alícia.
O caráter histórico da retomada também é destacado por Marcelo Siqueira, professor de Paleografia e diretor de Relações Institucionais do Arquivo Nacional, além de um dos idealizadores da primeira edição do congresso. Para ele, desde a criação, uma das principais propostas do evento é valorizar os profissionais que atuam com Paleografia e mostrar a importância da área para a preservação da memória.
“Este congresso é histórico por voltar a Campos, onde foi realizado pela primeira vez, em 2011. A proposta sempre foi reunir e valorizar os paleógrafos, destacando a Paleografia como ciência fundamental para o tratamento dos arquivos e a preservação da história. Trabalhar com Paleografia é trabalhar com a memória viva e com uma informação capaz de transformar a vida das pessoas. Por isso, a realização de um congresso dessa dimensão, reunindo profissionais de todo o Brasil e de outros países, é de grande importância para fortalecer e dar reconhecimento à área”, destacou.

É justamente nesse contexto que ganha destaque o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, instituição que guarda documentos fundamentais para a compreensão da história de Campos e da região. A presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, ressaltou a importância do equipamento e destacou o reconhecimento dado pelo prefeito Frederico Paes aos equipamentos e aparelhos culturais do município.
“Nosso Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho é, ouso dizer, um dos mais importantes do país. Destaco especialmente a menção feita pelo prefeito Frederico Paes a todos esses equipamentos e aparelhos culturais. Ter novamente em Campos um congresso como este, considerando que o primeiro foi realizado aqui e que agora chegamos à quarta edição depois de mais de dez anos de descontinuidade, é um momento muito importante para nós. Afinal, Campos é uma cidade de grande importância histórica e, por meio da Paleografia, temos acesso a essa história. Estamos vivendo um momento em que o mundo inteiro fala sobre inteligência artificial, enquanto um congresso como este nos mostra que o acesso à história também é construído por meio do trabalho minucioso de profissionais que atuam com conhecimento, dedicação e muita habilidade”, afirmou Patrícia.

O formato híbrido amplia ainda mais o alcance do congresso. Além dos 204 participantes presenciais, centenas de pessoas acompanham as atividades de forma on-line, permitindo que pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes localidades tenham acesso à programação. As atividades também são transmitidas e gravadas.
A realização do IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática é fruto da parceria entre o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, o Arquivo Nacional e a Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro (AAERJ), com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
