Vinculado à Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, o Programa de Assistência aos Assentados e Quilombolas (Paaq), consolidou nos seis primeiros meses de 2026 uma atuação permanente nos territórios tradicionais de Campos, fortalecendo o acesso aos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) e ampliando o cuidado integral às comunidades. Entre janeiro e junho, o programa realizou 1.788 atendimentos, aplicou 706 doses de vacinas, forneceu 5.741 medicamentos e promoveu ações que aproximaram ainda mais os serviços de saúde da população de assentamentos, acampamentos e comunidades quilombolas do município.
Ao longo do semestre, foram realizados 437 atendimentos médicos e 239 atendimentos odontológicos, além de aferição de pressão arterial, glicemia capilar, testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), atendimento do serviço social, pesagem do Bolsa Família e orientações sobre prevenção e promoção da saúde. O programa também efetuou encaminhamentos para especialidades médicas, solicitou exames e realizou exames laboratoriais, garantindo maior resolutividade no acompanhamento dos pacientes.
As equipes do Paaq atuam de forma itinerante em diferentes territórios tradicionais do município. Atualmente, o programa atende os assentamentos Oziel Alves I, Terra Conquistada, Josué de Castro, Ilha Grande, Che Guevara, Antônio de Farias, Santo Amaro, Zumbi I e Zumbi II; os acampamentos Oziel Alves II, Cícero Guedes, Saquarema e Flora, 15 de Abril, Leonel Brizola I e Leonel Brizola II; a comunidade pesqueira do Terminal Pesqueiro; as comunidades da população negra rural de Cafuringa, Beira do Taí, Espinho e Balança do Jair; e os territórios quilombolas de Conceição do Imbé, Aleluia, Batatal e Cambucá (ABC), Lagoa Feia, Sossego e Custodópolis.
Segundo a coordenadora do Paaq, Esthefany Francisco, o principal avanço do programa neste ano foi a consolidação da Estratégia Saúde da Família (ESF) dentro dos territórios tradicionais, permitindo que as equipes passassem a atuar de forma contínua nas comunidades.
“Com a presença mensal das equipes em cada território, deixamos de realizar apenas ações pontuais e passamos a acompanhar continuamente a população. Isso fortaleceu o vínculo com as comunidades, permitiu identificar as principais demandas locais, acompanhar tratamentos e oferecer um cuidado integral e longitudinal. O resultado é um acesso ampliado aos serviços de saúde e uma assistência cada vez mais qualificada para essas populações”, destacou.
Além da assistência direta, o Paaq fortaleceu importantes parcerias institucionais ao longo do semestre. Em conjunto com o Centro de Saúde Escola de Custodópolis (CSEC), ampliou a oferta de telemedicina nas UBSFs de Conceição do Imbé e Quilombo, garantindo acesso a consultas especializadas em cardiologia, endocrinologia e psiquiatria para moradores de seis dos sete territórios quilombolas do município.
Também em parceria com a Faculdade de Medicina de Campos (FMC), o programa desenvolveu pesquisas voltadas ao rastreamento do câncer de mama em comunidades quilombolas e promoveu ações educativas por meio do projeto “FMC nos Quilombos e Assentamentos”, levando estudantes do curso de Medicina para atividades de educação em saúde sobre prevenção de parasitoses. O PAAQ também fortaleceu a parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio do projeto de extensão Agenda Antirracista, que desenvolverá ações voltadas ao letramento racial e à promoção da equidade em saúde nos territórios tradicionais.
Outra iniciativa foi a integração com o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Departamento de Saúde Bucal, que ampliou o atendimento odontológico nas escolas localizadas nos territórios tradicionais, com ações preventivas, aplicação de flúor, procedimentos clínicos e atendimento por meio do consultório odontológico móvel.
Durante as ações realizadas em maio e junho, o programa também iniciou o levantamento de hipóteses diagnósticas nos territórios, identificando 25 novos casos, sendo 11 de diabetes e 14 de hipertensão arterial, reforçando o acompanhamento precoce dessas doenças crônicas.
A subsecretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Carolina Xavier, ressaltou que o fortalecimento do Paaq representa um importante avanço na promoção da equidade dentro do Sistema Único de Saúde.
“O Paaq qualifica o cuidado de populações que historicamente enfrentaram maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A atuação permanente das equipes permite compreender as necessidades dessas comunidades para além da doença, considerando seus modos de vida, sua cultura e sua organização social. Isso fortalece a Atenção Primária e torna o cuidado mais próximo, humanizado e resolutivo”, afirmou.
A subsecretária destacou ainda que as parcerias construídas pelo programa têm contribuído para ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer a formação de futuros profissionais de saúde e produzir conhecimento sobre as comunidades tradicionais.
“Quando universidades, instituições de ensino e equipes da rede municipal trabalham juntas, conseguimos oferecer uma assistência mais qualificada, reduzir desigualdades e fortalecer os princípios da integralidade e da equidade que orientam o SUS. Esse trabalho conjunto amplia as oportunidades de cuidado e melhora a qualidade de vida das populações atendidas”, concluiu.
Para o segundo semestre, o programa pretende ampliar ainda mais sua área de atuação. De acordo com Esthefany Francisco, a prioridade é expandir o atendimento para outras comunidades tradicionais que estão em fase de mapeamento.
“A nossa meta para os próximos seis meses é iniciar o atendimento a outras comunidades tradicionais, como populações ribeirinhas, pesqueiras, indígenas e ciganas, que estão sendo mapeadas juntamente com as unidades de saúde de referência. Também queremos fortalecer as parcerias com as universidades, especialmente com a UFF por meio da Agenda Antirracista, ampliar a cobertura vacinal e intensificar as ações de letramento racial nas UBS. Além disso, vamos aprimorar o monitoramento de doenças como diabetes e hipertensão, produzindo indicadores que contribuam para qualificar cada vez mais o cuidado oferecido à população negra e às comunidades tradicionais”, afirmou a coordenadora.
