Surto de tuberculose em macacos fecha o único centro de atendimento do Ibama a animais silvestres feridos no Rio

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Por diario
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Ponto de acolhimento para bichos que são vítimas de tráfico, maus-tratos ou encontrados fora de seu habitat, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Seropédica, na Baixada Fluminense, está temporariamente fechado e impedido de receber resgates ou apreensões. Na unidade, a única do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no Rio de Janeiro capacitada para reabilitar e devolver à natureza aves, mamíferos e répteis, a entrada e a saída foram suspensas no último dia 18 de maio. A interdição aconteceu após um surto de tuberculose atingir parte da população local de macacos-prego. Pelo menos três primatas já morreram.

Atualmente, 989 animais estão no Cetas-RJ. Entre os espécimes há 51 macacos, 503 aves e duas onças. Segundo Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio, análises feitas com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) confirmaram a tuberculose como causa da morte dos três macacos-prego. A suspeita é que algum dos primatas tenha entrado no local já contaminado entre 2024 e 2025.

‘Crise sanitária’

O que se sabe até agora é que um dos animais mortos foi resgatado em Petrópolis e encaminhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Outro foi apreendido em Mangaratiba pela Polícia Federal. Um terceiro foi recolhido por agentes da Polícia Rodoviária Federal em Piraí. Como se trata de uma doença contagiosa, animais e funcionários estão sendo testados para tuberculose.

— Nós fechamos o Cetas-RJ de forma absoluta, suspendendo a entrada e a saída de animais, em razão de uma crise sanitária. Tivemos a morte de três macacos-prego em um período muito curto. As análises de necrópsia levantaram a suspeita de tuberculose. Então, procedemos a outras análises, com apoio da Fiocruz e da Universidade Federal Rural, que confirmaram a ocorrência da doença. Imediatamente, escalamos todos os servidores e colaboradores para exames de saúde e testagem. Foram cerca de 50 testes realizados com o apoio da Prefeitura de Seropédica e da Secretaria de Saúde. Um primeiro teste deu positivo, apontando que elas tiveram contato com a bactéria, mas, no segundo exame, foi confirmado que nenhuma delas desenvolveu a doença. Portanto, nenhum ser humano foi afetado — explicou Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio.

Segundo o superintendente, um protocolo vermelho — de atendimento de emergência — foi acionado. A unidade foi dividida em zonas, com o estabelecimento de restrições de circulação. Além disso, servidores e tratadores passaram a usar equipamentos de proteção individual, como máscaras do tipo N95, que bloqueiam partículas suspensas no ar, incluindo bactérias e poeira. A previsão é que testes por amostragem sejam realizados nos próximos dias em alguns dos macacos remanescentes, no momento distribuídos por oito recintos.

Em pouco mais de um mês, é a segunda vez que o Cetas é atingido por algum tipo de interdição. No dia 29 de abril, o Ibama havia fechado a unidade apenas para o recebimento de animais encaminhados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) ou apreendidos por autoridades estaduais, como as polícias Militar e Civil.

Só em 2025, segundo o Ibama, o Cetas recebeu 7.410 animais, sendo 50% deles entregues pelo estado. A causa da paralisação do atendimento, naquela ocasião, foi o descumprimento de um acordo judicial envolvendo o Inea e o Ibama, homologado em 25 de julho de 2024. Entre os compromissos assumidos está a responsabilidade de o estado fornecer ração, alimentos e medicamentos, além de contratar exames laboratoriais — despesas que, segundo o órgão, superam R$ 3 milhões anuais.

O acordo também estabelecia que o estado deveria alocar temporariamente no Cetas-RJ um veterinário, um biólogo e um auxiliar administrativo, além de buscar destinação para 20 macacos-prego e duas onças-pardas. Cada um dos felinos acolhidos na unidade é alimentado com seis quilos de carne por dia. Segundo o Ibama, quase nada do acertado foi cumprido, e os animais citados continuam no mesmo centro de triagem. Dos três funcionários previstos, um estaria há meses sem comparecer ao trabalho.

— Houve um acordo. As obrigações relacionadas à questão da fauna em geral eram federais e foram repassadas aos estados em razão de uma mudança na legislação. Nesse processo de transição, o Ibama e o Inea vinham negociando que, na ausência de um Cetas estadual, as despesas fossem compartilhadas. Nada foi cumprido. Isso motivou o Ibama a deixar de receber animais silvestres encaminhados por órgãos estaduais. É um problema, porque a qualquer momento pode ocorrer uma operação e não ter lugar para onde encaminhar os animais. Já ingressamos com o cumprimento de sentença, pedindo que o juiz intime o Inea a cumprir o que foi acordado — explicou o procurador da República Renato Machado.

Em meio à disputa judicial envolvendo os dois órgãos, ficam os animais que precisam de ajuda. A advogada Jomara Knoff, presidente da Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil da subseção Barra da Tijuca, disse que, sem o Cetas-RJ, tem buscado alternativas. Uma delas é a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) da Universidade Estácio, em Vargem Grande.

— Dificulta muito com o Cetas fechado. Quando encontramos algum animal ferido, pedimos ajuda à Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio. Quando o animal não apresenta ferimentos, encaminhamos para a base da patrulha ambiental — revelou Jomara.

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