O Tribunal Superior Eleitoral decidiu nesta terça-feira (24) condenar o ex-governador Cláudio Castro e o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, no caso Ceperj. Ao fim do julgamento, o placar informado foi de 5 votos a 2 pela condenação de Castro e de 6 a 1 no caso de Bacellar, num desfecho que muda de vez o cenário político do Rio de Janeiro.
A sessão foi fechada com o voto da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, que acompanhou a maioria. Logo no início, ela criticou a repetição de escândalos envolvendo gestores fluminenses e afirmou: “Com alguma tristeza, estamos mais uma vez a votar um caso de práticas gravíssimas praticadas por governantes”. Em seguida, reforçou: “Não há democracia sem ética”.

No mérito, a maioria do tribunal entendeu que houve uso da estrutura do estado com finalidade eleitoral a partir de programas e contratações ligadas à Fundação Ceperj e à Uerj. Para a Corte, o caso extrapolou a fronteira da irregularidade administrativa e entrou no terreno do abuso de poder político e econômico durante a eleição de 2022.
A condenação atinge em cheio os planos eleitorais de Cláudio Castro. Mesmo tendo renunciado ao governo na segunda-feira (23), ele continuou sujeito ao julgamento porque o processo não discutia só o mandato, mas também sanções pessoais, como a inelegibilidade. A própria Agência Brasil destacou, antes da conclusão do julgamento, que a saída do cargo não afastava a possibilidade de punição até 2030.
No caso de Rodrigo Bacellar, o impacto é ainda mais direto no tabuleiro institucional. Além da inelegibilidade, a decisão atinge o mandato de deputado estadual, o que abre caminho para a escolha de um novo presidente da Alerj. A expectativa noticiada após o julgamento é que a Casa tenha de realizar nova eleição para o comando da Mesa Diretora já nos próximos dias.
O julgamento reverte a absolvição dada pelo TRE-RJ em maio de 2024. Na ocasião, a Corte regional havia livrado Castro e os demais investigados por 4 votos a 3. Agora, o TSE mudou o rumo do caso e consolidou a leitura de que houve uso indevido da máquina pública em larga escala.
O processo nasceu das suspeitas sobre contratações temporárias em massa e pagamentos feitos em dinheiro vivo no âmbito da Ceperj. Segundo a acusação, parte da estrutura teria sido usada para beneficiar politicamente candidaturas ligadas ao grupo de Castro. Em julgamento anterior, a relatora Isabel Gallotti já havia apontado que as contratações ocorreram à margem das normas constitucionais, sem fiscalização e fora da folha regular do estado.
Além de Cármen Lúcia, votaram pela condenação de Cláudio Castro a relatora Isabel Gallotti, os ministros Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha. André Mendonça divergiu apenas em relação ao ex-governador, enquanto Kassio Nunes Marques votou pela absolvição de todos.
A decisão do TSE encerra uma fase do processo, mas abre outra, agora com efeitos imediatos sobre a sucessão estadual e sobre o comando da Alerj. O caso que começou com suspeitas sobre contratações na campanha de 2022 termina, ao menos por enquanto, com dois dos nomes mais fortes do grupo governista fora do jogo eleitoral.
Com informações do Tempo Real
