A Viradouro foi eleita a melhor escola do Grupo Especial pelo júri do Estandarte de Ouro 2026. A agremiação desfilou na segunda noite e levou para a Avenida o enredo “Pra cima, Ciça”, em homenagem ao mestre de bateria. A escola ainda abocanhou mais quatro categorias, incluindo Personalidade do Ano, dada ao Mestre Ciça. O Estandarte de Ouro é uma realização dos jornais O GLOBO e Extra e chega à 54ª edição.
Uma homenagem a todo o carnaval
Para o júri, ficou a clareza de que a escola soube explorar com maestria o carisma dessa figura, tanto como representante do sambista tradicional quanto pela sua presença marcante. A escola venceu também como melhor Enredo. Ciça abriu e fechou o desfile. Após se apresentar na comissão de frente, foi de moto encontrar os ritmistas da Viradouro, posicionados no final.

Junto com a bateria, o mestre subiu em um carro alegórico, acompanhado pela atriz Juliana Paes — que voltou ao posto de rainha após um hiato de 17 anos. De lá, Ciça regeu a escola de cima.
— Foi uma experiência única. A escola quando se propôs a ter como enredo o Ciça, não é só falar dele, mas de todo o sambista que constrói o carnaval. E o público recebeu e abraçou essa história. São momentos que vão sendo guardados na memória, acho que para todo o sambista. Vimos que mesmo quem não torce pela escola, passou a torcer naquele momento. É uma energia singular — conta Alex Fab, diretor da Viradouro.
A Vermelho e Branco de Niterói também conquistou o prêmio de melhor Comissão de Frente. Coreógrafos da apresentação, batizada de “Eu vi… A Vida Pulsar Como Fosse Canção”, Priscilla Mota e Rodrigo Negri levaram para a Avenida uma abertura que traduziu a emoção da vida de Moacyr Silva Pinto.
— A gente passou a temporada ao lado do Ciça, desde abril. Ele entrou na nossa sala e falou: “O apito do mestre ecoou”. Essa frase tinha que estar no samba. A gente olhou um para o outro e pensou: realmente é um instrumento do mestre, é a comunicação com a escola, indica o início e o fim do desfile, que chama a bateria e pulsa o coração da escola. Se o mestre diz que o apito vai ecoar, quem somos nós para dizer que não? Elaboramos apito gigante, encantado, girando, trazendo esse instrumento de forma poética e representando a vontade do Ciça — destaca Priscilla.
O mestre de bateria não esconde a emoção de ter recebido tamanha homenagem e de ter participado de toda a festa, desde a concepção de ideias até os testes para estar em mais de um momento no desfile e de, enfim, cruzar a Avenida de um jeito totalmente diferente do habitual.
— Foi uma surpresa. Eu sou um enredo vivo, e isso é uma honra para mim. Ser um mestre de bateria do maior carnaval do mundo, é muita emoção — destaca Ciça. — É um momento de muito orgulho, de emoção, de satisfação, é um momento único. E acho que o Estandarte vem para comprovar isso.
Aclamado pelo público durante o desfile, Mestre Ciça deixou o último carro alegórico da Viradouro visivelmente emocionado, na madrugada desta terça-feira. Homenageado no enredo da escola, o sambista foi cercado por componentes e torcedores, que celebraram sua trajetória.
— Para a comissão de frente fui convidado, e a escola me animou a participar. Foi muito ensaio, muita dedicação, muito empenho, e foi espetacular. Depois voltei para a concentração no início do desfile e foi um sucesso. A bateria desfilou em cima do carro, e deu tudo certo. — afirma Ciça. O mestre de bateria foi escolhido como Personalidade do Ano pelos jurados deste ano.
Fonte: Jornal O Globo
